A noite chegou, e com ela caminha a sombra de um notório assassino em série. Pelos becos mal iluminados de Miami, ele espreita aqueles que, em seu sistema moral, devem morrer. Ele é metódico e organizado. E como muitos assassinos em série, ele possui seu ritual. Ninguém consegue escapar. Ele é um psicopata. Ele é Dexter.

Dexter Morgan é um personagem fictício da série de televisão “Dexter”, e o anti-herói da série de livros de ficção de Jeff Lindsay. O seriado de televisão teve 96 episódios divididos em oito temporadas e foi exibido pelo canal Showtime entre 2006 e 2013. Apesar do programa já ter terminado a alguns anos, ainda é muito comentado.

Na série de TV, Dexter é um analista forense de padrões de sangue que trabalha para o Departamento de Polícia Metropolitana de Miami. No seu tempo livre, ele é um assassino em série vigilante que tem por alvo outros assassinos que fugiram ao sistema judiciário. Ele segue um código de ética que lhe foi ensinado na sua infância pelo seu pai adotivo, Harry (referindo-se a ele como “O Código” ou “O Código de Harry”), que se baseia em dois princípios: Dexter apenas pode matar pessoas depois de encontrar provas conclusivas da sua culpa em crimes, e que tem de se libertar de todas as provas para que não seja apanhado.

Dexter foi adotado por Harry, o qual vendo o gênio do filho adotivo, que basicamente começou a maltratar e matar animais quando criança, entre outros distúrbios psicológicos’ cria o chamado “Código de Harry”. Harry acredita que colocando o filho para matar criminosos poderá conter o instinto homicida do filho. O que nos intriga é que Harry é um policial e, podemos dizer que ele treinou um assassino. Harry ensinou Dexter a esconder seu lado sociopata e a se comportar como uma pessoa aparentemente “normal”.

Desde a infância, Dexter tinha tendências homicidas lideradas por uma voz interior que ele chamada de “O Passageiro Obscuro” (Dark Passenger); quando essa voz não pode ser ignorada, ele deixa que “o Passageiro Obscuro o conduza”.

Dexter possui alucinações, pesadelos sobre o seu pai falecido e sua mãe. O terrível acontecimento de Dexter ter assistido o assassinato de sua mãe, pode ter sido uma das causas da personalidade de Dexter, levando em consideração que o nosso herói para uns, é vilão para outros. Dexter tem três características de um psicopata: obsessão pelo controle, sadismo e ausência de emoções.

Dexter é charmoso e bem sucedido, mas sua personalidade não tem cura. Dexter não é louco como muitos pensam, ele também sente emoções. Só há uma pequena diferença, ele precisa matar para senti-las!

Dexter, assim como a maioria dos serial killers, coleciona troféus das suas vítimas para que possa reviver a experiência. A assinatura de Dexter é cortar a bochecha direita da vítima com um bisturi para recolher uma pequena amostra de sangue em uma lâmina que é arquivada posteriormente em uma caixa de madeira.

 

A Psicologia de Dexter

Em 2010 foi lançado um livro: “The Psychology of Dexter” (A Psicologia de Dexter). O livro foi escrito por diversos especialistas em psicologia e criminologia e possui muitos tópicos interessantes, um item indispensável para os fãs da série e sobre o assunto “psicopatas”. Abaixo vamos ver alguns trechos do livro.

Quanto mais eu aprendo sobre psicopatia, agressividade e violência, mais isso se torna um mistério para mim. Por que as pessoas matam, e especialmente como alguém pode fazê-lo sem remorso? Uma das coisas que eu acho fascinante sobre Dexter é o fato de que podemos ver tanto a natureza quanto o estímulo criado por um psicopata. Nós aprendemos sobre o seu passado familiar e o seu crescimento no programa, e isso nos dá um caso bem documentado do desenvolvimento de um assassino de sangue frio. Apesar da grossa quantidade de informações sobre Dexter, assim como na vida real, quanto mais o julgo, mais dúvidas são deixadas comigo. (Joshua Gowin, psicólogo, pós-doutorado em neurociência)

Por décadas, enquanto estudei a ilusão, pensei que já tinha analisado praticamente todos os tipos de variações do tema de viver uma mentira. Então, eu conheci Dexter. Como todos que estão vivendo uma mentira, Dexter está escondendo algo em quase todos os momentos de sua vida. Mas diferente da maioria, Dexter está fazendo isso com as duas mãos atadas às costas. Como um psicopata (ou uma pessoa com tendências psicopatas), Dexter não consegue ler as pessoas sem muito esforço. Ele não tem um senso intuitivo da coisa certa a fazer ou a dizer. Então, ele está sempre estudando os outros para conseguir pistas de como ser, bem, humano. Para mim, isso não é apenas entretenimento barato, é totalmente envolvente, uma provocação deliciosa para os psicólogos de espírito. (Bella DePaulo, Psicóloga, Doutorado em psicologia social)

Sigmund Freud sugeriu que, quanto temos ansiedade ou traumas em nossas vidas, nós lidamos com isso usando uma variedade de técnicas chamadas “mecanismos de defesa”. Todos os personagens em Dexter usam uma variedade de mecanismos de defesa, como negação, identificação e repressão. Talvez o mecanismo mais forte do próprio Dexter seja a Justificação, quando ele diz a si mesmo que suas ações são, na verdade, para um bem maior. O que Freud diria sobre suas vidas, e como a vida de Dexter deve inevitavelmente acabar? (Wind Goodfriend, Psicóloga, pós-doutorado em psicologia social).

Dexter Morgan, é superficialmente charmoso, mas lhe falta profundidade emocional. Por exemplo, falta-lhe a violência, a raiva e o veneno de Paul, ex-marido abusivo de Rita. Ainda assim, Dexter possui todos os critérios clínicos para um namorado abusivo. Os seus planos, friamente calculados, são psicologicamente abusivos. Quando mergulhamos no complexo desse problema, nós concluímos, para o horror dos seus admiradores, que Dexter é na verdade tão abusivo quanto Paul. (Nigel Barber, psicólogo, pós-doutorado em biopsicologia);

Nós, mulheres, não somos feitas para sermos agressivas. À primeira vista Rita, o amor de Dexter, durante a maior parte das primeiras 4 temporadas, parece um modelo de mulher bem comportada. Mas ao lançar a ela um olhar mais aprofundado, percebemos alguém lutando para conter seus próprios impulsos agressivos. Talvez Rita e Dexter não sejam tão diferentes quanto nós pensamos. (Tamara McClintock Grenberg, psicóloga, doutorado em psicologia clínica e pós doutorado em psicofarmacologia clínica)

O que mais me fascina sobre Dexter e outros serial Killers é que eles são menos assustadores do que as pessoas que cometeram os mais deploráveis crimes, como aqueles cometidos em Ruanda, Kosovo ou Camboja. Mesmo assim, a maioria das pessoas que mutilaram, estupraram e mataram pessoas nos genocídios que ocorreram nesses países, eram seres humanos completamente normais. Então, quem é mais perigoso? Pessoas comuns ou psicopatas como Dexter? Eu sei o que eu acho. (Paul Richard Wilson, Psicólogo, criminologia)

Como consumidores de narrativas, nós regularmente nos encontramos torcendo por protagonistas, até mesmo quando o protagonista está agindo fora de nossos limites morais. Como espectadores de Dexter, nós caminhamos bem além dos nossos limites morais, e nos encontramos (literalmente) aplaudindo um serial killer. Os escritores da séria criaram um mundo no qual Dexter se torna um personagem que os espectadores, no momento, querem que seja bem sucedido. Através de uma reflexão maior, os atos de Dexter não são fáceis de justificar. Mesmo assim, esse conflito sobre o que nós queremos no momento e o que nós pensamos depois que os créditos aparecem, talvez seja parte do que faz de Dexter uma experiência tão prazerosa para os fãs. (Richard Gerrig, doutor em psicologia cognitiva, psicolinguística)

Para mim, a sedução de Dexter está em volta do fato de que ele representa aquele pequeno ponto em que os dois extremos do comportamento humano se conectam, completando o ciclo que descreve a consciência humana. Dexter é tanto um assassino a sangue frio quanto um carinhoso homem de família. Assassino insensível e amigo apoiador. Como todos nós ele é confuso, mas seguro. Simultaneamente, ele é o melhor e o pior que nós podemos ser. Apenas considere a sua biografia: órfão, criado por adultos carinhosos que tentaram entender a criança estranha que ele era, despertar gradual de suas habilidades e necessidades únicas; um profundo desejo de defender os inocentes contra os maiores predadores do mundo. Dexter? Sim, mas isso também descreve a infância da sagrada trindade de super-heróis da América: Super Homem, Batman e Homem Aranha. Dexter nos toca porque somos perigosamente dexterianos. (Christopher Ryan, psicólogo especialista em sexualidade humana)

 

 

Algumas frases ditas pelo personagem Dexter no seriado:

Não costumo compartilhar meus problemas com ninguém. Sempre consigo ver os problemas dos outros mais claramente que os meus.

A vida não tem que ser perfeita, só tem que ser vivida.

Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo, as vezes você enterra alguma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda está lá, e as vezes o que você quer, é só esquecer quem você é, por inteiro.

No blood… no Work.

As vezes eu fico imaginando como seria se tudo dentro de mim que é negado, desconhecido, fosse revelado. Mas eu jamais saberei. Eu vivo minha vida em segredo. Minha sobrevivência depende disso.

Eu adoro o halloween, é o único dia do ano em que todos usam uma máscara, e não apenas eu. As pessoas gostam de fingir que são monstros, enquanto eu tenho que passar o ano fingindo que não sou um.

Não existem segredos na vida. Apenas verdades escondidas… que ficam sob a superfície!

Eles fazem parecer tão fácil conectar-se com outros ser humano.

Nós só vemos duas coisas nas pessoas. O que queremos ver e o que elas querem mostrar!

As pessoas acham divertido fingir que são monstros. Eu passo a vida fingindo não ser um.

Essa é a noite. E isso vai acontecer novamente, e novamente. Tem que acontecer.

Eu sou bom? Eu sou mau? Parei de me perguntar isso faz tempo, não tenho resposta.

Nosso universo é regido por caprichos aleatórios e é habitado por pessoas que dão risada da lógica.

Eu não gosto deste lugar. Algo sem nome, nasceu aqui, algo que vive no mais profundo buraco escuro da coisa chamada Dexter.

Eu vivi nas trevas um longo tempo. Ao longo dos anos os meus olhos ajustado até que o escuro se tornou o meu mundo e eu pude ver.

Não admira que eu me senti tão desconectado minha vida inteira. Se eu tivesse emoções, eu teria que sentir isso.

Ele subiu dentro de mim naquele dia, e tem estado comigo desde então. Meu Passageiro Sombrio.

Eu nunca tive muito uso para o conceito de inferno, mas se o inferno existe, eu estou nele.

 

 

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